Indo além da polarização, a hora de reconstruir os laços.

Estamos num momento de polarização muito grande, e isso de alguma forma nos desgasta muito. Essa polarização está cada vez mais exacerbada em assuntos sociais como o posicionamento político, religioso, desigualdade de classes, gêneros, raças, a economia e o meio ambiente.


A primeira vista, num olhar passageiro e superficial para tal questão, podemos achar que tais temas nada se relacionam um com o outro, ou ainda, num nível mais grosseiro, que nada se relacionam conosco, com as nossas questões e problematizações pessoais. Mas quando observamos mais a fundo, é possível reconhecer que no âmago da questão, estamos vivenciando um momento planetário em que a dualidade da existência, e que está inerente em cada ser humano, tem tomado formas extremas em suas manifestações.


No Brasil, acabamos de vivenciar um momento de eleição para presidente da república pelos próximos quatro anos, iniciando em 2023. O que isso nos diz? Que, através de um sistema de democracia, em que todos os cidadãos elegíveis tem o direito de participar igualmente — diretamente ou através de representantes eleitos — na proposta, no desenvolvimento e na criação de leis, elegemos a pessoa que irá representar o país como chefe de estado, com o dever político-social-econômico-ambiental-humanitário, de cumprir as funções que o determinado cargo exige.

É fato que a tensão e a disputa sempre fizeram parte do jogo democrático e da defesa de interesses diversos da sociedade. Mas a regra a que todos(as) estamos submetidos(as) é o absoluto cumprimento da Constituição Federal. Sendo assim, entendemos, como cidadãos inseridos em uma sociedade dita civilizada, que é nosso dever de conduta ética, mantermo-nos unidos em prol do bom funcionamento do todo. Resumidamente, a nível de abranger as diferentes opiniões, interesses e decisões, estabelecemos cargos e órgãos responsáveis para o planejamento e execução, de forma harmoniosa, das transformações necessárias para a melhoria da qualidade de vida, levando em consideração o indivíduos, o coletivo e o sistema planetário.


O cenário que pudemos experienciar nos últimos tempos, foi esse: as pessoas, por conta da política, se desentendo com várias pessoas de sua comunidade, dos seus grupos profissionais, familiares, amigos. Isso está sendo um problema, porque, inevitavelmente, esta separação prejudica toda a humanidade. Tudo que nos separa, que cria desarmonia entre nós, que faz com que percamos a capacidade de criar empatia com o outro, está indo contra o que somos em essência. E independente do tempo que possa demorar (apesar de que é possível sentir os malefícios de uma discórdia instantaneamente, através da auto-observação de pensamentos, emoções e sensações que se manifestam quando essas situações acontecem), as consequências sempre irão aparecer, cedo ou tarde.


Agora, teremos o trabalho de reconstruir nossos contatos, já que somos seres, essencialmente sociais, e nos afastar da essência do que somos é, num âmbito maior, simplesmente traçar o caminho da nossa própria extinção.


Então, àquelas pessoas que estão mais comprometidas com o autoconhecimento, com a paz no planeta, com a parte humana dentro desse planeta, que possam ter mais consciência de que cada um tem que fazer a sua parte pra reconstruir os laços, e que isso só vai depender da gente mesmo…devem neste momento colocar em prática o que há tanto tempo tem se dedicado a estudar. Sim, esse momento está nos fornecendo uma ótima oportunidade para colocar em prática toda a teoria e o conhecimento que temos recebido ao longo desta vida, no que diz respeito ao trabalho interior. Um momento propenso e cheio de matéria prima de primeira, para criar produtos, ou até juntar os antigos cacos e recriar de uma forma ainda melhor e mais criativa aquilo que antes já existia.


Esses momentos intensos de transformação nacional e global, nos permite vivenciar na prática ensinamentos que há muito tempo nos foram passados, por professores, mestres, líderes religiosos, e todos os seres que por esta terra passaram e que, através de um exemplo vivo, contribuíram para a evolução planetária e a tão sonhada cultura da paz entre os reinos.


Indicando a direção, todas elas, ou a maioria delas, carrega em sua essência, uma linguagem universal, do amor, do perdão, da compaixão, da verdade unificada. Ou seja, sair do egocentrismo que cria o dual, para a união e presença maior, que nos conduz a libertação do sofrimento, à iluminação, à Deus.

Nesse caminho, que possamos fazer o uso das ferramentas que já temos disponíveis para desenvolvermos cada vez mais um discernimento correto à respeito dos fatos. Deixando de lado orgulho, prepotência, arrogância, medo, apego às opiniões pessoais, e toda canalização da ignorância; e nos pondo como canais da manifestação da sabedoria.


É como diz a parábola dos lobos, em que, resumidamente, somos um terreno fértil e nele habitam dois lobos...o lobo mau e o lobo bom. Então, alguém pode perguntar, qual deles vai crescer mais? A resposta é: O que decidimos alimentar.

Todo o processo de purificação interno nos diz sobre a renúncia. Não somente alimentar o lobo bom, mas deixar de alimentar o lobo ruim. Isso é algo que acontece de dentro para fora, e que cada um é responsável por realizar. É o tipo que trabalho que acontece silenciosamente, sem expectadores, sem aplausos, sem ninguém pra te dizer que está sendo bem sucedido em sua realização. Mas, o único capaz de elevar a consciência e dar a verdadeira confiança capaz de emanar e criar uma nação de paz.


Dentro do corpo humano, uma célula doente, pode causar a morte de todo organismo. E desta mesma forma, são células e órgãos saudáveis que compõe um corpo-mente saudáveis.

Somos responsáveis por nossos pensamentos, palavras e ações, e cada ato praticado pode gerar harmonia ou confusão, pode nos levar à um futuro de paz ou não. E se, de fato, o outro não puder receber ou conceber o perdão, que estejamos prontos para praticar a compaixão.


O trabalho interior tem reverberações sutis, mas muito potentes. Então, que todos possamos confiar em nós mesmos e realizar aquilo que necessita ser feito, num nível interno. Isso por si só, ira nos dar energia e direcionamento para que uma conduta verdadeiramente positiva à respeito das nossas relações possa se manifestar naturalmente.

De dentro para fora, com presença e atenção, podemos seguir conscientes, mas com abertura no coração.


Como diz o ditado: “Aquele que pede desculpas primeiro, é o mais corajoso. Aquele que perdoa primeiro, é o mais forte. Aquele que esquece primeiro, é o mais feliz.”

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