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A beleza está nos olhos de quem vê.

Quando começamos a trilhar um caminho de autoconhecimento e espiritualidade na vida, é muito comum começarmos a enxergar a as pessoas, os momentos e a natureza mais bonita. Muitas vezes, nada ao redor mudou, tudo que já existia ao nosso entorno e na vida continua seguindo seu ritmo natural, manifestando sua essência como sempre foi, mas a forma como passamos a enxergar e nos relacionar com todas as coisas ganha uma amplitude e profundidade antes desconhecida, ou perdida. Conforme trilhamos o caminho, vamos naturalmente resgatando aquele encantamento de quando éramos crianças, a eterna descoberta do novo. Cada novo momento, nova oportunidades, novos olhares, sensações, aprendizados. Quanto mais nos conhecemos, mais podemos soltar padrões de comportamento e negatividades que criam uma espécie de poeira na lente dos óculos com os quais enxergamos o mundo. Essas lentes sujas, nos impedem de ver a realidade como ela é, e é nessa simplicidade de ver as coisas como são, e não como gostaríamos que fosse - simplesmente por uma idealização do que é certo ou errado de acordo com crenças e costumes muitas vezes impostos por uma sociedade doente ou um padrão familiar antigo que está sendo reproduzido de forma inconsciente - que reconhecemos a beleza intrínseca de todas as coisas. Isso porque podemos enxergar com lentes mais limpas, a pura beleza que já existe, tanto em nós mesmos, quanto na vida.


De uma forma geral, fomos educados a estar constantemente atentos ao que ocorre fora de nós, criando um distanciamento da realidade interior, que é muito prejudicial, causa central de grande parte das doenças, desequilíbrios e transtornos da sociedade moderna. Conforme nos desenvolvemos no autoconhecimento, vamos fortalecendo e nos aproximando novamente da nossa essência. A realidade interior Presente em cada momento, o foco dos sentidos, então, passa novamente para o mundo interior, de onde não deveriam ter sido afastados.

Existe uma Lei Universal da natureza que diz que tudo que existe é impermanente, está em constante mudança. Tanto na natureza fora de nós, como dentro. Todo tempo, a todo momento, tudo está mudando. Nada permanece estático. Porque então muitas vezes nos afastamos de perceber o novo de cada momento? A soma de muitos fatores podem contribuir pra essa desconexão, mas podemos sintetizá-los em um único fator principal, o apego. Apego que desenvolvemos pelo que julgamos como bom, ou até mesmo apego pela ideia que construímos do que é ruim. Esse apego é um cruel carcereiro. Muitas vezes se justifica com boas palavras e apelos como, por exemplo, o cuidado, a segurança e a educação, mas na verdade executa perfeitamente seu trabalho nos aprisionando numa pequena caixa empoeirada que obscurece ainda mais a visão. O apego congela o olhar numa imagem fixa, e por ser fixa, é irreal, que não possibilita enxergar a vida em constante movimento e fluxo que acontece dentro e fora de nós. Esse pulso constante de vida, transformação, morte, nascimento, florescimento é belo por natureza. é inspiração contínua que gera mais vida, num espaço de tempo que ultrapassa a linearidade cronológica, e que pode ser reconhecido a partir de muitos pontos de vistas, mas por um único ângulo de percepção, a consciência que se revela pela Presença.


Por isso, é sempre bom lembrar que não existem fórmulas mágicas nesse caminho, pois cada um precisa identificar o que segue empoeirando suas próprias lentes, e após identificar, trabalhar para limpá-las e soltar os apegos que seguem aprisionando a mente dentro da caixa empoeirada. Cada um precisa fazer por si. Ao nos entregarmos com confiança na direção que nos leva à profundida da nossa existência, a vida se encarrega de apontar onde podemos pegar a lenha, mas precisamos então, ir buscá-las, posicioná-las e ascender o fogo, para que a fogueira possa existir diante de nossos olhos.

Ao longo da caminhada, vamos recebendo a ajuda necessária para seguir crescendo, evoluindo. Já que o caminho é longo e a vida é um infinito mar de possibilidades, cores, sabores, paisagens, estradas... cada um pode ir descobrindo por si mesmo quais são seus desafios, suas facilidades, os erros, as virtudes. Poderemos, então enxergar a beleza no próprio caminho, sem a ânsia da chegada. Na Presença, cada momento é o início, o meio e ao mesmo tempo, o fim.

Por isso, quando nos falam que algo ou alguém é bonito, quando ouvimos elogios e exaltações a respeito de um momento, um lugar, um acontecimento, que possamos reconhecer a partir de nossas próprias lentes. Afinal, a beleza está nos olhos de quem a vê.





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